Açude Castanhão tem comportas fechadas hoje

Precipitações abaixo da média em março motivaram a decisão. Mas a Funceme mantém prognóstico positivo

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FOTO: MELQUÍADES JÚNIOR
A Abertura das duas comportas do Açude Castanhão atraíram uma boa quantidade de visitantes nos últimos dias. Válvulas dispersoras continuam a perenizar o Rio Jaguaribe

Jaguaribara As chuvas abaixo da média nas regiões Centro Sul e Vale do Jaguaribe condicionaram o fechamento ainda hoje das comportas da barragem do Castanhão. A decisão foi tomada após reunião de técnicos da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) e do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). O fechamento ocorre depois de 14 dias de liberação de 100 metros cúbicos de água por segundo em duas de suas comportas. Ainda assim, metade dessa vazão será liberada por válvulas dispersoras.

Técnicos da Cogerh e do Dnocs estiveram reunidos na última quarta-feira, em Fortaleza, para avaliar o volume de água recebido pelo Açude Castanhão por meio das chuvas que alimentam mananciais, dentre os quais o Rio Salgado. Diante da redução de chuvas na segunda metade do mês de março, com menor volume de água entrando no Castanhão, os técnicos decidiram reduzir a liberação de água "porque a nossa intenção é manter o açude próximo da cota 101 metros acima do nível do mar", afirma o engenheiro Ulisses de Sousa, coordenador do Complexo Castanhão.

No início da tarde de ontem, o reservatório estava na cota 100,83 metros acima do nível do mar e com 70,5% da sua capacidade de acúmulo, que é de 6,7 bilhões de metros cúbicos de água. O açude vinha aumentando o seu volume de água desde o início do mês. Do dia 3 de março até o dia 18, data da abertura das duas comportas, o reservatório havia ganhado 171 milhões de metros cúbicos de água. Em termos comparativos, o açude recebeu, em 15 dias, o equivalente a 60 vezes o volume total de reservatórios como o Açude Adauto Bezerra, localizado no Município de Pereiro. E do dia da abertura até ontem, foram liberados cerca de 82 milhões de metros cúbicos.

Um dado que pontuou a reunião da última quarta-feira foi a informação da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) de que choveu abaixo da média no mês de março. Isso seria resultado, dentre outros fatores, do atraso na entrada da zona de convergência intertropical pelo Nordeste, que teria provocado menor volume de chuvas. É condicionante para a chegada da zona que a temperatura do Atlântico Sul seja maior que a do Atlântico Norte, de modo a favorecer esse processo climático.

Durante o ano, o Castanhão libera água por válvulas dispersoras. É assim que o reservatório pereniza o Rio Jaguaribe. Uma válvula libera em média 15 metros cúbicos por segundo (ou 15 mil litros) de água.

Com o fechamento das duas comportas que mantinham uma abertura de 73 centímetros, cada, e liberavam um total de 100 metros cúbicos por segundo, a liberação será de 50 metros cúbicos por segundo, pelas válvulas. Além da redução de vazão, a escolha pela fonte de liberação se dá porque a água saída das válvulas é captada do fundo do açude, considerada de menor qualidade.

A Funceme, no entanto, mantém a atualização do prognóstico oficial de chuvas para fevereiro a maio no Estado. A probabilidade de chuvas em torno da média é de 45%. Por sua vez, as chances de precipitações acima da média são de 40% e há 15% de probabilidade de chuva abaixo da média.

Vale ressaltar que este prognóstico considera os quatro meses (fevereiro, março, abril e maio). Nesse período, é normal haver veranicos (intervalos de até seis dias sem chuva). Segundo os meteorologistas da Funceme, a previsão do tempo aponta condições favoráveis para chuvas no Ceará na primeira semana de abril.

Desde a abertura das comportas, a barragem do Castanhão tornou-se ponto turístico, visitado diariamente por dezenas de pessoas, que fazem fotos e compram CDs e camisas com ilustrações do maior açude do Ceará. O Castanhão é operado como um controlador de cheias, e ao mesmo tempo ferramenta de segurança hídrica para o abastecimento do Vale do Jaguaribe e da Região Metropolitana de Fortaleza. Ontem à tarde, havia 21 açudes sangrando no Ceará, e outros 12 reservatórios acumulavam água acima de 90% da sua capacidade.

MAIS INFORMAÇÕES
Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos: (85) 3218.7020

Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme): (085) 3101.1093

Melquíades Júnior(Diario do Nordeste)Colaborador