Capacitação para agricultura no VALE DO JAGUARIBE

No III Seminário da Agricultura Irrigada,
 em Limoeiro, agricultores familiares foram
orientados sobre o quanto o conhecimento
 tecnológico faz diferença na qualidade do
 produto FOTO: MELQUÍADES JÚNIOR
Produtores estão recebendo incentivo para que conquistem o Selo 100% Agricultura Familiar
A tecnologia no campo aliada à agricultura familiar está fazendo sucesso e gerando o que especialistas já chamam de ascensão de uma classe média rural. O Instituto Agropólos e o Sebrae têm realizado seminários sobre agricultura irrigada e o mais recente, em Limoeiro do Norte, teve por foco a promoção da agricultura familiar. E agora os pequenos produtores correm para a aquisição do Selo 100% Agricultura Familiar, como um comprovante de qualidade e sabor nos alimentos produzidos.

Produtoras do Distrito de Flores, em Russas, fazem a conserva de legumes e conquistam aceitação no mercado local; mulheres de Quixeré embalam a vácuo legumes e frutas, em pedaços, e "o pessoal está gostando". Produtores rurais de Limoeiro do Norte e Morada Nova se capacitam sobre as melhores técnicas de higienização e produção de queijo e não só conquistam mercado como abrem vagas para outros trabalhadores. No III Seminário da Agricultura Irrigada, realizado em Limoeiro do Norte, agricultores familiares foram orientados sobre o quanto o conhecimento tecnológico faz diferença na qualidade e, também, na rentabilidade do produto.

A agricultura familiar há muito tempo deixou de ser apenas homem-semente-terra. Plantar e colher são apenas partes de um processo, e agora o agricultor familiar que carrega a semente é o mesmo que vai ao balcão atrás de financiamento bancário e que depois vende o produto em seu próprio balcão. "Estamos numa das regiões mais importantes do Ceará, do ponto de vista da agricultura irrigada, e é importante que os agricultores daqui sejam capacitados, orientados e apoiados, que é o que fazemos em parceria com outras instituições", afirma Ana Maria Ferreira de Freitas, diretora técnica do Instituto Agropólos. As outras instituições a que se refere a diretora são, principalmente, a Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), Ematerce e Sebrae.

Os órgãos estão articulados para concretizar três etapas da agricultura familiar: incentivo, qualificação e escoamento da produção. Essa última etapa é a mais difícil, de acordo com a diretora técnica.

Ampliação
"Temos a intenção de ampliar a política de comercialização do produto da agricultura familiar, mas para isso precisamos atrair fortemente o setor privado, como os supermercados", explica Ana Maria. Para a articuladora regional do Sebrae, Wandrey Pires, a conquista do Selo Agricultura 100% Familiar, por parte do produtor, é uma importante garantia de abertura de mercado. "As pessoas vão saber que estão comprando produto de qualidade e que está beneficiando pequenos produtores".

Um grupo de 20 mulheres de Russas participou de curso de capacitação para conservas de legumes. E verduras novinhas em folha, frescas, são boa garantia de produto com sabor apurado. Já iniciaram a venda e solicitaram a concessão do Selo da Agricultura 100% familiar.

Para o técnico Silva Filho, da equipe de agroindústria da Unidade Territorial (UT) do Vale do Jaguaribe (no Ceará há 13 UTs desse tipo), está nascendo uma nova classe média rural, "a de agricultores empreendedores", afirma.

A criação do Selo da Agricultura 100% Familiar está, em pouco tempo, provocando uma corrida dos agricultores familiares pela conquista dessa concessão. Isso porque o selo é comprovante de qualidade, e vários produtores já estão adquirindo - não sem uma minuciosa avaliação técnica. O selo é usado primeiramente em Municípios que têm o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Bases de Serviço de Comercialização. Para o titular da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), Nelson Martins, o desafio é tornar a agricultura familiar sustentável também economicamente.

Uma dos principais destaques do seminário foi o esclarecimento aos produtores sobre o potencial da palma forrageira na alimentação animal. Uma proposta simples e, ao mesmo tempo, inovação tecnológica e sustentável. O vegetal já é típico do semiárido, retêm líquido e tem valor nutritivo. E em uma prova de atividade sustentável, pode ser adubado pelo esterco dos currais. A palma forrageira está se tornando um importante aliado na alimentação principalmente do gado leiteiro, que tem grande aporte na região do Vale do Jaguaribe.


Capacitação
"O pequeno produtor está se capacitando e podendo conquistar mercados"

Wandrey Pires,Articuladora regional do Sebrae em Limoeiro


"O grande desafio da agricultura familiar é aumentar o escoamento da produção"
Ana Maria Ferreira de Freitas,Diretora Técnica do Instituto Agropólos


MAIS INFORMAÇÕES
Instituto Agropólos do Ceará. Rua Barão de Aratanha, 1450, Fortaleza - Ceará
Telefone/Fax: (85) 3101.1670


Repórter: Melquíades Júnior
Fonte: Diário do Nordeste