Documentário sobre agrotóxicos será lançado nessa terça

O uso de agrotóxicos no país que é o maior consumidor desse veneno no mundo é o tema do documentário “O veneno está na mesa“, do cineasta Sílvio Tendler, trazendo à tona a discussão sobre o modelo de produção de alimentos no Brasil. Após a exibição, haverá um debate com a participação de Tendler, da representante Lourdes Vicente (Via Campesina) e da médica, socióloga e professora Raquel Rigotto, do Núcleo Trabalho, Meio Ambiente e Saúde para a Sustentabilidade (Tramas), da Universidade Federal do Ceará. Raquel Rigotto abordará a problemática dos agrotóxicos no Ceará, especialmente na Chapada do Apodi (Limoeiro e Quixeré), onde grandes empresas de fruticultura usam intensamente esses químicos, inclusive por meio da pulverização aérea (ou não). Assista ao trailer logo abaixo:

Imagem de Amostra do You Tube

O uso de agrotóxicos na Chapada do Apodi, entre os municípios de Limoeiro e Quixeré, é pauta de várias matérias minhas há pelo menos cinco anos. Entrevistei trabalhadores rurais que meses depois faleceram por complicação de doenças relacionadas ao uso de veneno. Os laudos médicos comprovaram a contaminação pela exposição aos venenos. Em todos os casos, as empresas agrícolas negaram que houvesse abuso desse produto químico, bem como se isentam de quaisquer responsabilidades sobre as causas das mortes.
Mas foi depois a morte, por assassinato, do líder comunitário José Maria Filho, o Zé Maria do Tomé, que o assunto, até então só publicado nas páginas do Diário do Nordeste, ganharam dimensão internacional. Claro que durante os últimos anos o trabalho de pesquisa e esclarecimento sobre o impacto dos agrotóxicos no meio ambiente e nas comunidades esteve ao cargo das universidades federais e dos vários movimentos sociais que se formaram na região jaguaribana.
VALE DIZER que a problemática dos agrotóxicos também provocou uma sensível relação de oposição entre produtores agrícolas e as pessoas que são contra o uso de agrotóxicos. Os produtores rurais reclamam da forma maniqueísta como o assunto estaria sendo tratado. Eles dizem que a pulverização aérea acontece poucas vezes no ano, e que é feita de modo a minimizar danos. O assunto é polêmico, e a nós jornalistas apenas cabe apontar os lados e os seus devidos fundamentos, com seus elementos, fundamentos e divergências.
Fonte: http://blogs.diariodonordeste.com.br/valedojaguaribe/