Reforma de trecho da CE entre Limoeiro e Tabuleiro esquecida pelo Governo

CE 378 - Engenharia duvidosa e recuperação há
oito anos 'esquecida' pelo poder público.
Foto: MELQUÍADES JÚNIOR
Das ações feitas pelo homem que provocam uma rápida reação contrária da natureza certamente está o trecho da rodovia CE-378, que liga este Município a Tabuleiro do Norte. A ponte do tipo passagem molhada fica mais destruída a cada novo período chuvoso e o asfalto praticamente desapareceu. Ao ser construída, fazendo um desvio forçado do leito do Rio Jaguaribe, a passagem molhada nunca aguenta a elevação do nível do manancial. As águas sobem, entram em cena as canoas; as águas baixam, fica visível a destruição que só aumenta e tem contribuído com acidentes – inclusive fatais.

O departamento de Edificações e Rodovias (DER) aponta que trecho deverá ser todo reconstruído, mas não diz quando. O trecho da CE-378, entre os dois Municípios, é um dos mais vulneráveis do Vale do Jaguaribe. Foi inaugurado em 2003, com direito a passeio de bicicleta do então governador Lúcio Alcântara. Com as primeiras fortes chuvas do ano seguinte, a passagem ficou totalmente debaixo dágua, e ainda mais em virtude da abertura de comportas do Castanhão. O preto do asfalto deu lugar ao vermelho da terra, as pedras soltas dividem espaço com os buracos, vez por outra preenchidos com terra pela Prefeitura de Tabuleiro para amenizar o transtorno da população, que não é pouco. Diariamente centenas de pessoas trafegam entre as duas cidades.

Recuperação desse trecho da CE-378 não está no mapa de obras em estradas do site do DER, nem mesmo na categoria “em projeto”. No início de 2003, antes da inauguração do trecho rodoviário, a reportagem esteve na obra e flagrou uma ação que, segundo ambientalistas, é uma das principais causadoras do problema de grande inundação e consequente destruição da via: engenheiros fizeram um desvio do leito do Rio Jaguaribe. O que era em área de Limoeiro foi desviado 200 metros para perto de Tabuleiro do Norte, fazendo que a passagem molhada ficasse mais próxima deste segundo município – o entorno do espaço virou uma área pública de lazer.


“O RIO foi desviado do leito natural, e a área onde está é mais rasa, isso facilita com que a força das águas seja mais destrutiva. Foi uma irresponsabilidade o desvio que fizeram”, aponta o professor e ambientalista Ivan Remígio. A realocação de águas afastou, assim, o trecho do rio de sua margem e da vegetação nativa – embora degradada, ela é necessária para manter o curso do rio. “Aqui as pessoas andam rápido, passa caminhão e a poeira sobe, e se não tiver cuidado é capaz até de cair na água”, afirma o comerciante Jean Armando, do Córrego de Areia.

De acordo com funcionários do DER em Limoeiro do Norte, os problemas do trecho já são de conhecimento do Departamento em Fortaleza, bem como a dimensão do problema – será necessário praticamente reconstruir a passagem molhada. A Assessoria de Imprensa do órgão disse que não tem data definida para reconstrução do trecho. No próximo mês de março completará oito anos do problema, mal solucionando após as chuvas sempre com pedras e mais terra.

Foto: MELQUÍADES JÚNIOR
REPÓRTER: MELQUÍADES JÚNIOR
Fonte: Diário Vale do Jaguaribe