Anvisa vai atualizar registro de cosméticos


Dermatologistas dizem que os riscos para as crianças que usam produtos com química são grandes

A empresária Arísia dos Santos conta que recebe, em seu salão, várias crianças para fazer as unhas, maquiagem e até pintar o cabelo Foto: José Leomar

Tintura e alisamento no cabelo, unhas com esmaltes chamativos, olhos marcados por sombras coloridas e pelo delineador e o batom vermelho que contorna a boca. Como se fossem adultas, meninas se preocupam, cada vez mais cedo, com a vaidade. E o mercado oferece uma gama de produtos que enchem os olhos das meninas que ainda são crianças, mas estão descobrindo o mundo da beleza.

A fim de saber a opinião da população sobre as regras atuais de comercialização dos produtos infantis, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu consulta pública no dia 31 de agosto. A proposta é atualizar requisitos técnicos para a concessão de registro de produtos infantis. O regulamento estabelece critérios para o registro de produtos de higiene, cosméticos e perfumes destinados a crianças de zero a 12 anos. A medida aborda critérios como faixa etária, formulação, dados de segurança e advertências de rotulagens. O novo regulamento vai substituir a legislação vigente.

Na opinião da empresária Arisa Lima dos Santos, dona de salão de beleza em Fortaleza, hoje em dia, há uma vaidade muito precoce que, muitas vezes, é estimulada pelas mães. Arisa recebe um sem número de crianças diariamente em seu estabelecimento para pintar as unhas, fazer maquiagem e até para mudar a cor do cabelo ou fazer alisamento. Mas a cabeleireira é contra e diz que só usa química após a primeira menstruação por conta da mudança hormonal que modifica a fibra capilar. "Tem demais menina que quer ficar loira. A gente acaba usando de meios paliativos, como xampus tonalizantes", revela.

Produtos

Arisa comenta que o mercado tem de tudo. "Esmalte e maquiagem para crianças, unha postiça infantil com francesinha decorada e tudo". A empresária conta que tenta convencer as mães a não utilizarem certos procedimentos nas meninas.

A estudante Giovanna de Souza Oliveira, de 12 anos, é bem vaidosa. É preciso que a mãe, a dona de casa Valeriana Albano de Souza, freie suas vontades. "Ela já me pediu para fazer californianas no cabelo e até alisamento, mas tudo tem seu tempo. Ela precisa esperar até, pelo menos, os 15 anos", argumenta.

Em meio a esmaltes, estojos completos de maquiagem, equipamentos para escovar as madeixas e outros tantos apetrechos, Giovanna não sai de casa sem se embelezar. "Ela acha mais importante passar rímel do que tomar café da manhã para ir à escola", brinca a mãe.

Dermatologistas são unânimes em dizer que os riscos para as crianças que usam produtos com química ou aqueles voltados para os adultos são grandes. A começar pelas reações alérgicas até problemas mais graves.

Sobre a precocidade das meninas, a psicóloga Heliane Pessoa explica que é ruim porque abrevia uma fase que é importante na vida de qualquer um, a infância. "Isso não é bom para o desenvolvimento das crianças e aumenta o nível de ansiedade dos pais de verem os filhos crescerem". A psicóloga alerta que as mães devem conversar com suas filhas e mostrar os prejuízos para a saúde e para o emocional de usar produtos muito cedo.

LINA MOSCOSO
REPÓRTER
Fonte: Diário do Nordeste